Saiba como foi a colisão do foguete da SpaceX com a Lua hoje
Estágio superior de um Falcon 9 atingiu a superfície lunar na madrugada desta quarta-feira (5); entenda o que o impacto provocou.
Escrito por
Ednardo Rodriguesproducaodiario@svm.com.br

O estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, colidiu com a Lua na madrugada desta quarta-feira (5), às 6h35 no horário universal (UTC), o que corresponde a 3h35 no horário de Brasília.
O impacto ocorreu perto da cratera Einstein, na borda oeste da face voltada para a Terra, e foi previsto com semanas de antecedência pelo astrônomo Bill Gray, responsável pelo Project Pluto, programa usado para rastrear objetos próximos do nosso planeta.
Esse foguete havia sido lançado em 15 de janeiro de 2025, do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Ele levou ao espaço dois módulos de pouso lunares privados: o Blue Ghost, da Firefly Aerospace, com pouso bem-sucedido e missão cumprida, e o Resilience, da japonesa ispace, espatifado na tentativa de pouso.
Cumprida a tarefa de empurrar as duas sondas em direção à Lua, o estágio superior (a parte de cima do foguete, de voo único e normalmente descartada) virou lixo espacial.
Normalmente, a SpaceX traz esse estágio de volta para queimar na atmosfera da Terra.
Dessa vez não foi possível, porque levar os módulos até o ponto de liberação consumiu quase todo o combustível, e o foguete ficou abandonado numa órbita alta, cruzando o caminho da Lua. Segundo a própria SpaceX, uma combinação de atividade solar e de forças gravitacionais foi alterando aos poucos essa trajetória, até colocá-lo em rota de colisão.
O estágio tem cerca de quatro toneladas (4 mil quilos), aproximadamente 3,7 metros de diâmetro e perto de 12 metros de comprimento. Ele atingiu a Lua a mais ou menos 8.700 km/h. Como a Lua não tem atmosfera para frear ou desintegrar o objeto, toda essa energia foi descarregada de uma vez na superfície.
As estimativas apontam uma cratera de 17 a 30 metros de diâmetro e uma nuvem de regolito (a camada de poeira e fragmentos de rocha do solo lunar) lançada a até 100 quilômetros de altura.
Apesar da dimensão do impacto, ele foi difícil de observar. A colisão aconteceu no lado visível da Lua, hoje iluminado, e essa claridade ofuscou o clarão do choque; mesmo a nuvem de detritos só teria chance de aparecer com um bom telescópio.
A América do Sul esteve entre as regiões mais bem posicionadas, mas a olho nu não havia nada a ver, diferente das chuvas de meteoros que costumo indicar por aqui.
Não é a primeira vez
Um episódio parecido já havia ocorrido. Em 4 de março de 2022, um estágio de foguete atingiu o lado oculto da Lua (a face que nunca vemos daqui) e abriu uma cratera dupla de cerca de 29 metros. O detalhe curioso: na ocasião, o objeto foi atribuído primeiro a um Falcon 9 da SpaceX, lançado em 2015.
Depois de revisar os cálculos, os astrônomos concluíram tratar-se, na verdade, do estágio de um foguete chinês Longa Marcha 3C, da missão Chang’e 5-T1, de 2014.
Para quem ficou preocupado, um impacto desses não altera a órbita da Lua e, portanto, não muda as marés aqui na Terra. A Lua tem massa cerca de 18 quintilhões de vezes maior do que a do foguete.
A energia liberada no choque equivale a cerca de três toneladas de explosivo, suficiente para abrir uma cratera de poucas dezenas de metros num corpo já coberto de crateras muito maiores, mas insignificante diante da massa e do movimento lunar.
As marés dependem da massa da Lua e da distância dela até nós, e nenhuma das duas mudou. Nosso planeta segue em equilíbrio.
O que fica é um novo ponto no mapa lunar. Com a Nasa planejando uma base tripulada perto do polo sul da Lua na próxima década, saber para onde vão os foguetes depois de encerrada a missão deixou de ser um detalhe.
*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.
Fonte:https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/


