Hospital Regional Norte inicia aplicação de imunizante contra bronquiolite em bebês prematuros e com comorbidades internados
Ascom HRN – Texto e Fotos

A imunização fortalece a proteção dos bebês prematuros contra formas graves de bronquiolite
O Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Sobral, iniciou a aplicação do nirsevimabe em bebês prematuros e crianças com comorbidades internadas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O imunizante, oferecido pelo Ministério da Saúde e distribuído aos municípios por meio da Sesa, amplia a proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa da bronquiolite e de formas graves de infecções respiratórias na primeira infância.
São considerados prematuros os bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação. Além deles, também fazem parte do público prioritário crianças menores de 24 meses com comorbidades, como cardiopatias congênitas, broncodisplasia, imunocomprometimento, Síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares e anomalias congênitas das vias aéreas.
Administrado em dose única, o nirsevimabe passa a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando a cobertura da profilaxia e substituindo o palivizumabe, que anteriormente era destinado apenas a prematuros extremos, nascidos antes de 28 semanas de gestação.
Em Sobral, o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) do HRN é responsável por receber e administrar as doses. Neste primeiro momento, a aplicação foi iniciada nos bebês internados na unidade, com o objetivo de protegê-los principalmente nos primeiros seis meses de vida, reduzindo o risco de bronquiolite e pneumonia graves.
A enfermeira do Crie, Larissa Cunha, destaca a importância da nova estratégia. “Esse anticorpo monoclonal foi incorporado para proteger as crianças mais vulneráveis contra as formas graves de infecção respiratória, especialmente durante o período de maior circulação do vírus. No ano passado, tivemos muitos casos graves, principalmente entre prematuros e crianças com comorbidades. Essa proteção chega para reduzir esse cenário e salvar vidas”, afirma.
Ela também ressalta que o principal diferencial do novo imunizante é a praticidade e a eficácia. “Antes, com o palivizumabe, eram necessárias várias doses ao longo do período sazonal. Agora, com uma única aplicação, o bebê já sai protegido, o que facilita o acompanhamento e aumenta a adesão das famílias”, explica.
Quem pode receber e como ter acesso
O fluxo para administração do nirsevimabe segue critérios definidos pela idade gestacional, presença de comorbidades e histórico prévio de profilaxia contra o VSR.
Recém-nascidos prematuros com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias são elegíveis para receber a dose ao nascer ao longo de todo o ano, independentemente do peso. A quantidade aplicada varia conforme o peso ao nascimento: bebês com menos de 5 kg recebem 50 mg (0,5 ml) e aqueles com 5 kg ou mais recebem 100 mg (1,0 ml). Já os nascidos com mais de 37 semanas e saudáveis não são elegíveis neste contexto.

A vacina contra o VSR reduz riscos e ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida
Crianças com comorbidades também fazem parte do público prioritário e podem receber a proteção durante a segunda sazonalidade, entre fevereiro e agosto. Nesse grupo, são contempladas crianças com até 1 ano, 11 meses e 29 dias, mediante apresentação de laudo médico que comprove a condição clínica. Para esses casos, a dose única é de 200 mg, independentemente do peso.
Segundo Larissa Cunha, o atendimento também contempla bebês que não estão internados. “Os bebês prematuros identificados nos postos de saúde são encaminhados ao Crie com a documentação e a prescrição médica. Aqui avaliamos os critérios e fazemos a aplicação. Também atendemos crianças com comorbidades e pacientes de outros municípios, que podem solicitar a vacina por meio da rede de saúde local”, orienta.
Ela reforça que é essencial apresentar documentação comprobatória. “O encaminhamento precisa vir acompanhado de laudos ou relatórios que comprovem a prematuridade ou a comorbidade. Após essa análise, organizamos a aplicação. Em alguns casos, a vacina pode ser enviada para o município de origem, evitando o deslocamento da família”, acrescenta.
Há ainda situações específicas na transição entre o palivizumabe e o nirsevimabe. Crianças que iniciaram o esquema com o medicamento anterior em 2025 devem concluí-lo com o mesmo imunizante. Já aquelas nascidas após o fim da sazonalidade de 2025 e que tenham menos de seis meses podem receber o nirsevimabe como dose de resgate no início da sazonalidade de 2026. Para os novos elegíveis nascidos neste ano, a orientação é iniciar diretamente com o novo anticorpo.
Avanço histórico na prevenção
Para a médica pediatra e neonatologista do HRN, Ana Lia Rocha, a chegada do nirsevimabe representa um marco no cuidado com os bebês mais vulneráveis. “Essa é uma grande conquista na luta contra a bronquiolite. Pela primeira vez, conseguimos proteger de forma mais ampla os bebês mais frágeis contra o VSR, que é o principal responsável pelas internações no primeiro ano de vida”, destaca.

Com dose única e maior cobertura, o SUS amplia a estratégia de enfrentamento ao VSR
A especialista explica que, embora seja conhecida como “vacina contra a bronquiolite”, trata-se de um anticorpo pronto. “Não é o corpo do bebê que precisa produzir a defesa. O anticorpo já é administrado pronto, conferindo proteção imediata, algo muito importante para recém-nascidos que ainda têm o sistema imunológico imaturo”, afirma.
Ana Lia reforça o impacto esperado da medida. “Não tenho dúvidas de que essa é uma ação que vai salvar muitas vidas e evitar muito sofrimento para as famílias, reduzindo os casos graves e as hospitalizações por bronquiolite em todo o país”, conclui.
Fonte: Governo do Estado do Ceara



